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A mostrar mensagens com a etiqueta Antero Tarquínio de Quental

"BEATRICE" - Antero de Quental

"Dante and Beatrice", Sandro Botticelli "BEATRICE" Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando, Se foi a nuvem d’ouro ideal que eu vira erguida; Depois que vi descer, baixar do céu da vida Cada estrela e fiquei nas trevas laborando: Depois que sobre o peito os braços apertando Achei o vácuo só, e tive a luz sumida Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida A flor do meu jardim, que eu mais andei regando Retirei os meus pés da senda dos abrolhos, Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém. Não temas pois ‑ Oh vem! o céu é puro, e calma E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma... A alma! Não a vês tu? mulher, mulher! oh vem! Antero de Quental, Primaveras Românticas

"O Palácio da Ventura" - Antero de Quental

"O Palácio da Ventura" Sonho que sou um cavaleiro andante.  Por desertos, por sóis, por noite escura,  Paladino do amor, busco anelante  O palácio encantado da Ventura!  Mas já desmaio, exausto e vacilante,  Quebrada a espada já, rota a armadura...  E eis que súbito o avisto, fulgurante  Na sua pompa e aérea formosura!  Com grandes golpes bato à porta e brado:  Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...  Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!  Abrem-se as portas d'ouro com fragor...  Mas dentro encontro só, cheio de dor,  Silêncio e escuridão - e nada mais!  Antero de Quental, Sonetos