"Dante and Beatrice", Sandro Botticelli "BEATRICE" Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando, Se foi a nuvem d’ouro ideal que eu vira erguida; Depois que vi descer, baixar do céu da vida Cada estrela e fiquei nas trevas laborando: Depois que sobre o peito os braços apertando Achei o vácuo só, e tive a luz sumida Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida A flor do meu jardim, que eu mais andei regando Retirei os meus pés da senda dos abrolhos, Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém. Não temas pois ‑ Oh vem! o céu é puro, e calma E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma... A alma! Não a vês tu? mulher, mulher! oh vem! Antero de Quental, Primaveras Românticas