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“A NATUREZA SEM CORTINA” | Alfredo Costa Pereira

Aguarela de Amoacy “A NATUREZA SEM CORTINA” Na areia da paria, ao nascer do sol quantas vezes ali fiquei,  Reflectindo em tudo aquilo que na minha vida gostei e amei!... O encanto das manhãs sempre foi o meu prelúdio,  Porque do impacto da aurora nunca temi o seu repúdio… Conheço a cor do vento que ali sopra que gemendo põe as ondas a dançar…  E com um sorriso nos lábios e promessas nos olhos ali fico a adorar o mar… A saborear o brilho das gotas do orvalho matinal  E do som dos búzios no marulhar do mar musical…  E sem aviso um raio de sol rompeu a neblina,  Acendendo um clarão levantando a cortina  Onde a Natureza se escondia, ficando envergonhada!  Estava a amar na sua intimidade ficando agora iluminada! E vi as rochas morenas vestidas de verdes algas com picos bicudos A esperar as ondas que as abraçavam com seus braços carnudos!... Vi as ondas bravias a beijar as praias adornadas com algas b...

"A POESIA FALA POR SI " | Frassino Machado

"A POESIA FALA POR SI " «Da afabilidade poética» Toda a Poesia tem a sua própria linguagem –  Que os antigos diziam que era a dos deuses – Aquela que provem, da sua inspiração P´la acção das Musas no decurso da viagem E que transporta na inefável bagagem Palavras reveladas pela imaginação…  Poesia-farsa que não passa de palavras, Sem conteúdo e esvaziadas de sentido, Que facilmente são levadas pelo vento Das encostas longínquas, donde correm lavas Que fazem delas panaceias desconchavas,  Num horizonte sem vivência e condimento… Palavras-água que permitem germinar Cada minuto, e cada hora e cada dia, As emoções genuínas de cada alma… Palavras-fruto que compete partilhar Fazendo cada ser poder-se transformar Em versos e poemas de sagrada calma. Poesia… não precisa jamais de alibi  Antes toda ela, em cada agir, fala por si!  Frassino Machado JANELAS DA ALMA   www.frassinomachado.net

"UM MUNDO MARAVILHOSO" | Auber Fioravante Júnior

Arte: Auber Fiori "Um mundo maravilhoso" seja das letras d’um poeta  seja dos versos d’um poema um mundo maravilhoso por palavras ao vento  por uma nudez d’uma alma divagando entre os silêncios do tempo entre os silêncios de um beijo de um abraço um mundo maravilhoso pelas estrelas  d’um céu acinzentado pelas nuvens de inverno  trazendo o luar  pela poesia desnudando  a musa entre pétalas  e uma taça de vinho um mundo maravilhoso pela canção cantando à chuva pela voz gemendo em melodia de respirar de aspirar  de deixar acontecer  enquanto um corpo navega  d’outro delira avesso de amar ah um mundo maravilhoso vindo dos violinos violões violoncelos ah um mundo maravilhoso vindo das lágrimas vindo de nós! Auber Fioravante Júnior https://www.facebook.com/auber.fioravantejunior

"AI, Ó SONETO, SONETO" | Frassino Machado

"AI, Ó SONETO, SONETO"  Há mais Soneto pra além dos catorze versos E mais Poesia pra além do que é soneto Só não entende quem faz do poema panfleto Ou usa das palavras com sentires perversos… As palavras são projectadas do alfabeto, Os poemas, quais artefactos mui diversos,  Fazem qu´ os poetas sejam sempre controversos Levando, de per si, a cada alma o seu aspecto. Catorze versos – há que desmistificar o mito –  Menos ou mais, ele será sempre original E a poesia, que na estética, é visceral Jamais há-de perder seu leme e gabarito. Ai, ó soneto, Soneto, onde está o teu «graal» Quem faz, por justa causa, dar corpo ao conflito? Onde está a inspiração, no jeito ou no rito, Que desvenda a tua imagem consensual? Ai, ó soneto, Soneto, não caias em teu ocaso E vai morar co´ as Musas no real Parnaso! Frassino Machado,  AS MINHAS ANDANÇAS www.frassinomachado.net

"Chove? Nenhuma Chuva Cai..." - Fernando Pessoa

"Chove? Nenhuma Chuva Cai..." Chove? Nenhuma chuva cai...  Então onde é que eu sinto um dia  Em que ruído da chuva atrai  A minha inútil agonia?  Onde é que chove, que eu o ouço?  Onde é que é triste, ó claro céu?  Eu quero sorrir-te, e não posso,  Ó céu azul, chamar-te meu...  E o escuro ruído da chuva  É constante em meu pensamento.  Meu ser é a invisível curva  Traçada pelo som do vento...  E eis que ante o sol e o azul do dia,  Como se a hora me estorvasse,  Eu sofro... E a luz e a sua alegria  Cai aos meus pés como um disfarce.  Ah, na minha alma sempre chove.  Há sempre escuro dentro de mim.  Se escuro, alguém dentro de mim ouve  A chuva, como a voz de um fim...  Os céus da tua face, e os derradeiros  Tons do poente segredam nas arcadas...  No claustro sequestrando a lucidez  Um espasmo apagado em ód...