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"Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio" - Ricardo Reis

"Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio" Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.  Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos  Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.  (Enlacemos as mãos.)  Depois pensemos, crianças adultas, que a vida  Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,  Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,  Mais longe que os deuses.  Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.  Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.  Mais vale saber passar silenciosamente  E sem desassosegos grandes.  Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,  Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,  Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,  E sempre iria ter ao mar.  Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,  Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,  ...