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A mostrar mensagens com a etiqueta fatalismo

"Violoncelo" - Camilo Pessanha

"Violoncelo" Chorai arcadas  Do violoncelo!  Convulsionadas,  Pontes aladas  De pesadelo...  De que esvoaçam,  Brancos, os arcos...  Por baixo passam,  Se despedaçam,  No rio, os barcos.  Fundas, soluçam  Caudais de choro...  Que ruínas, (ouçam)!  Se se debruçam,  Que sorvedouro!...  Trêmulos astros,  Soidões lacustres...  _ Lemes e mastros...  E os alabastros  Dos balaústres!  Urnas quebradas!  Blocos de gelo...  _ Chorai arcadas,  Despedaçadas,  Do violoncelo.  Camilo Pessanha, Clepsidra

"BEATRICE" - Antero de Quental

"Dante and Beatrice", Sandro Botticelli "BEATRICE" Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando, Se foi a nuvem d’ouro ideal que eu vira erguida; Depois que vi descer, baixar do céu da vida Cada estrela e fiquei nas trevas laborando: Depois que sobre o peito os braços apertando Achei o vácuo só, e tive a luz sumida Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida A flor do meu jardim, que eu mais andei regando Retirei os meus pés da senda dos abrolhos, Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém. Não temas pois ‑ Oh vem! o céu é puro, e calma E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma... A alma! Não a vês tu? mulher, mulher! oh vem! Antero de Quental, Primaveras Românticas

"Nascemos para Amar" - Barbosa du Bocage

"Nascemos para Amar" Nascemos para amar; a Humanidade  Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.  Tu és doce atractivo, ó Formosura,  Que encanta, que seduz, que persuade.  Enleia-se por gosto a liberdade;  E depois que a paixão na alma se apura,  Alguns então lhe chamam desventura,  Chamam-lhe alguns então felicidade.  Qual se abisma nas lôbregas tristezas,  Qual em suaves júbilos discorre,  Com esperanças mil na ideia acesas.  Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:  E, segundo as diversas naturezas,  Um porfia, este esquece, aquele morre.  Barbosa du Bocage, Sonetos

"O Palácio da Ventura" - Antero de Quental

"O Palácio da Ventura" Sonho que sou um cavaleiro andante.  Por desertos, por sóis, por noite escura,  Paladino do amor, busco anelante  O palácio encantado da Ventura!  Mas já desmaio, exausto e vacilante,  Quebrada a espada já, rota a armadura...  E eis que súbito o avisto, fulgurante  Na sua pompa e aérea formosura!  Com grandes golpes bato à porta e brado:  Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...  Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!  Abrem-se as portas d'ouro com fragor...  Mas dentro encontro só, cheio de dor,  Silêncio e escuridão - e nada mais!  Antero de Quental, Sonetos