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Mensagens

"SERENIDADE" | Joaquim Jorge de Oliveira

Ilustração: Obra do artista austríaco: Cristian Schloe "SERENIDADE" Vieste abraçada à Lua! E eu, gosto da paciência e serenidade Guardada misteriosamente em ti! Enquanto não deixaste a eternidade E voltaste de novo à vida aqui Chegaste como a pluma de um pássaro Solta, e livre, sem querer, sem saber Que é aqui o palco do teatro, da emoção E o bater do coração permite amar e viver Gosto da paciência e serenidade! Que trouxeste com o teu silêncio sereno Quando vieste para aqui de verdade Depois do teu périplo sagrado e eterno E trouxeste contigo esse teu sorriso Que encanta as estranhas criaturas Que ganhaste enquanto estiveste no paraíso Perdida em mil e uma aventuras De perder o norte, a noção da morte, o juízo Gosto da paciência e serenidade! Como voltaste com desejos de colo Que sentiste no mistério da saudade Voltaste como tinhas anteriormente partido Frágil, débil e cega de visão Presa ao teu corpo ainda adormecido...

ARTE POÉTICA OU POESIA | Frassino Machado

ARTE POÉTICA OU POESIA   “O culto das palavras” A pensar e a falar é que a gente se entende. Como se entenderá sem pensar nem falar? As palavras – diáfano tapete que se estende – Suportam, passo a passo, todo o passo a dar. E o culto das palavras está na própria vida Que no seu horizonte gera uma emoção, E somos nós, os poetas, que lhe damos vida Sob a forma de poemas com a inspiração… Buscar palavras, quer ao sol quer ao luar, É o gesto de dor que todo o poeta despende Até que a obra se revele a germinar Naquela chama ardente qu´ o seu estro acende. Arte poética que, em si mesma, é poesia – Rosário de palavras, de alegria e canto – E mais o é se ela contiver a harmonia P´ la doce exaltação do seu feliz encanto! © Frassino Machado In JANELAS DA ALMA   www.frassinomachado.net

"ORTOGRAFIA, LUSOFONIA E PRECONCEITOS" | Fernando Couto e Santos

"ORTOGRAFIA, LUSOFONIA E PRECONCEITOS" Há algumas semanas, fomos surpreendidos - ou talvez não - por notícias vindas a lume na imprensa que se faziam eco de um certo mal-estar na universidade portuguesa. Esse desconforto estribava-se na incapacidade revelada por alguns professores para lidarem com alunos oriundos de outros países de língua portuguesa, mormente timorenses e brasileiros, ao ponto de, não raro, os alunos desses países serem brindados com uma muito desagradável frase: «Fale português!». No caso timorense, não conheço bem a realidade de um país em que durante a ocupação indonésia - que durou duas décadas e meia - o português nem sequer foi leccionado. No caso brasileiro, os equívocos são muitos dos dois lados do Atlântico, mas – creio eu – de forma mais acentuada em Portugal, não obstante as relações sempre amistosas entre os dois países. O Brasil tornou-se independente da então coroa portuguesa há perto de duzentos anos e a distância, o atraso português ...

"UM DIA ELA PERCEBEU-O" | Angela Caboz

"Um dia ela percebeu-o." Percebeu que ele era o avesso dos sonhos que ela tinha construído e que sem mais explicações ele destruiu num abrir e fechar de olhos. Percebeu que há sonhos que não se ajustam ao que sentimos. Ela percebeu-o sem que alguma vez ele a tenha conhecido. E foi quando se viu sozinha, num mundo demasiado grande para si, que entendeu que sempre vivera no meio de uma multidão que não sabia quem ela era. Poderia ter sido só mais um dos muitos acasos que não acontecem na vida. Poderia ter sido somente um a encruzilhada em que o destino queria que ela seguisse em frente, e ela hesitou olhando para o lado. Poderia não ser nada, mas ela teimosamente quis que fosse quase tudo. E foi no meio dessa multidão que o olhou como se o futuro já tivesse chegado e o passado nunca tivesse existido. Pegou nessa ilusão e fez daquele sonho a sua razão de existir. Já se tinha habituado ao que a fazia sofrer, apesar de também saber que merecia mais do que um sofri...

"QUANDO A PRIMAVERA LHE CHEGAR" | Ró Mar

Imagem: Amar sempre. "QUANDO A PRIMAVERA LHE CHEGAR" Na maciez da pele se aflora o cântico  D' amendoeira d' olhar romântico Que dança p'lo arco-íris do lírio Perfumando natura d' um delírio. Na melodia d' uma certa fase do dia Há lua cheia de noite d' eclipse lunar Onde o céu replica puro sino de poesia Adormecendo-a num beijo de pasmar. O planeta respira p'lo breve luar Na companhia do que havia sonhado Até à hora que bem parecer acordar A encantada dupla floral qu' enraízada No leito bainhado por um rio volve folheada Quando a primavera lhe chegar. © Ró Mar https://ro-mar-poesia.blogspot.com

"QUADRAS SOLTAS" | António Cláudio

"Quadras Soltas ao Vento " "Quadras Soltas" Lua que ilumina os céus; É como prata a brilhar!... O brilho dos olhos teus; Fascinam mais que o luar!... Andei perdido na vida; Em revolto turbilhão!... Até encontrar guarida; No teu doce coração!... Saltei valados e montes; E rios de leitos perigosos... Sofri sede... bebi nas fontes; Dos teus lábios apetitosos!... E no teu corpo moreno, Nesse jardim... descobri, Que teu coração pequeno, Guarda grande amor por mim!... Nas noites de temporal; Jamais fico perturbado... Teu amor afasta o mal Quando me deito a teu lado!... Quadras lançadas ao vento; Passa tempo... nada mais!... Frutos do meu pensamento... De muitos outros iguais!... © António Cláudio https://www.facebook.com/antonio.claudio