Avançar para o conteúdo principal

“A NATUREZA SEM CORTINA” | Alfredo Costa Pereira


Aguarela de Amoacy

“A NATUREZA SEM CORTINA”


Na areia da paria, ao nascer do sol quantas vezes ali fiquei, 
Reflectindo em tudo aquilo que na minha vida gostei e amei!...

O encanto das manhãs sempre foi o meu prelúdio, 
Porque do impacto da aurora nunca temi o seu repúdio…

Conheço a cor do vento que ali sopra que gemendo põe as ondas a dançar… 
E com um sorriso nos lábios e promessas nos olhos ali fico a adorar o mar…

A saborear o brilho das gotas do orvalho matinal 
E do som dos búzios no marulhar do mar musical… 

E sem aviso um raio de sol rompeu a neblina, 
Acendendo um clarão levantando a cortina 
Onde a Natureza se escondia, ficando envergonhada! 
Estava a amar na sua intimidade ficando agora iluminada!

E vi as rochas morenas vestidas de verdes algas com picos bicudos
A esperar as ondas que as abraçavam com seus braços carnudos!...

Vi as ondas bravias a beijar as praias adornadas com algas brilhantes 
Como sereias de braços abertos a clamarem pelos seus gigantes!...

E também vi beijos fortuitos em bocas distraídas, no meio da praia
Enfeitados com búzios estrelas-do-mar e vestidos de cambraia!...

E para que sinta que o cheiro da maresia sobressaia
Ele penetrou suavemente no peito meu, 
Que ainda continua e continuará a ser todo teu!...

Alfredo Costa Pereira

Comentários

UNO LITERÁRIO

"UM PIANO NA MINHA RUA..." | Fernando Pessoa

"UM PIANO NA MINHA RUA..." Um piano na minha rua… Crianças a brincar… O sol de domingo e a sua... Alegria a doirar…
A mágoa que me convida A amar todo o indefinido… Eu tive pouco na vida Mas dói-me tê-lo perdido.
Mas já a vida vai alta Em muitas mudanças! Um piano que me falta E eu não ser as crianças!
Fernando Pessoa, Poesias